terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vivemos em erros, mas podemos mudar isso.

Radiohead, banda inglesa de rock alternativo. Ou seria Thom Yorke, a "chave mestra"?


"Eu quero que você saiba
Ele não vai voltar.
Olhe nos meus olhos:
Eu não vou voltar. (...)
Olhe nos meus olhos,
É o único jeito de você saber que digo a verdade. (...)"
Trecho traduzido da música Knivesout, Radiohead.


Hoje é um dia não muito agradável, mas é um momento de pesarmos em pessoas queridas que nos fazem falta em nosso plano terrestre. Um tempo frio e chuvoso, significando de fato o dia de hoje e significando os meus sentimentos que tenho passado atualmente. Confesso que amo o tempo assim, porém não gosto de meus sentimentos atuais.

Pois bem, nos deparamos com a nossa realidade talvez de um modo já tardio. Por raios, por que o ser humano não é capaz de medir as suas consequências antes de fazer algum ato que se tornará mais tarde algo aversivo, talvez, digamos. As coisas se vão de todos os modos existentes e apenas num olhar, que significa o "cair em si e na situação", que percebemos o nosso erro. Sim, errantes os seres humanos somos a todo tempo. Há uma explicação para isso? Tentarei encontrá-la agora.


#-#-# (In) Blurry Oblivion #-#-#

É através de duas percepções e duas essências que inicio minha breve colocação de hoje - ao menos tentarei ser breve.

Algumas dessas minhas colocações eu já havia utilizado por aqui na postagem anterior, mas será necessário repeti-las. Como de práxis, irei correlacionar tudo que foi exposto anteriormente com meu contexto, no caso, a foto do Radiohead e o trecho de uma música desta mesma banda. Creio que ficará mais fácil de entender agora, pois na postagem anterior coloquei de forma muito complexa ao correlacionar com fatos da linda e singela Literatura - ainda quero fazer Letras um dia.

1. Princípio da Essência Primária = tudo aquilo que é real e verdadeiro, do modo em que surgiu a coisa, com argumentos reais e verdadeiros porém esquecidos; essência por ser algo profundo e verdadeiro e primário por ser a existência real e única porém sempre é esquecida, permanecendo no pré-inconsciente - pode evoluir de forma plena para a consciência do sujeito porém depende do tipo percepção do mesmo.

1.2. Princípio da Essência Tardia = tudo aquilo que é embaçado após a essência primária; torna-se tardio por ser embaçado logo após de ser esquecido e havendo assim uma substituição de valores - podem ser bons ou ruins tais valores, dependem do tipo de percepção do sujeito (sim, essência continua por ser algo profundo e verdadeiro porém tardio por não ter conseguido alcançar a plenitude da consciência do sujeito e tornando embaçado, ou seja, um projeto de seu inconsciente e portanto não podem evoluir mais).

2. Percepção Primária = percepções que vêm do impulso inato do ser humano; o sujeito faz algo por dar apenas prazer e nada mais além disso.

2.2. Percepção Tardia = percepções maduras sobre o que nos cerca no momento de angústia e indecisão após o arrepender-se de ter feito algo em percepção primária, por tanto, são tardias no sentido de serem maduras pois após a imaturidade do pré-pensar (primário) vem a maturidade tardia do pensa propriamente dito.

Tendo como base tais essências e tais percepções, podemos entrar num processo de
"cair em si e nas situações", digamos. Tudo o que fazemos tem, a priori, uma essência primária, claro. Todos os nossos atos vem de afetos e sentimentos reais do âmbito humano. Se agíssemos de forma correta e coerente, se fôssemos de fato racionais, seríamos totalmente evoluídos e saltaríamos para a percepção tardia antes de fazermos/cometermos o erro. Um sujeito que se relaciona com outro por falta de opção e/ou para esquecer um amor inatingível e/ou ainda por sentir apenas sentimentos que provém da "carneoficina" do ser humano (prazer carnal) - a palavra não está escrita de forma errada, foi um trocadilho que fiz, significando o corpo carnal como uma mera oficina dos prazeres. Mas como isso?? Se tal sujeito entrasse em contato total consigo mesmo e se existisse o autoconhecimento pleno, saberia as consequência (ruins) que tal ato poderia trazer para a sua própria Vida. Valorizar a si mesmo é fundamental e encontrar um sentimento recíproco ainda mais. Mas esquecemos de nossa ética e nossa moral cultivada em algum ponto de nosso âmbito humano, pois sim, são argumentos reais e verdadeiros porém esquecidos por nós.

Não conheço algum ser humano que seja pleno nesta evolução, seja neste exemplo que citei ou em quaisquer outros exemplo da Vida cotidiana. Mas como isso (novamente)?? Ao sentirmos o que há de profundo e verdadeiro, pois sim, até o prazer carnal é profundo e verdadeiro, não pensamos duas vezes em sentir tudo aquilo de momentâneo que o ato pode nos trazer, aquele prazer "aqui e agora e nunca mais", pois junto com este prazer vem o impulso da percepção primária, que é o que sentimento durante a ação. A percepção primária é momentânea e por isso ela é muito perigosa... Pois seres com evolução mediana-inferior não conseguem escapar para a sua percepção tardia no momento da ação, deixando fluir e levando os seus sentimentos para o que há mais de impulsivo e inato do ser humano. Por exemplo, tenho que escrever isso, o sexo. Sem medir as consequências, o prazer do sujeito chega no que há mais de impulsivo e inato que o sexo pode trazer, sendo uma consequência errante. Porém, existem sim seres humanos que busca a constante evolução, ou seja, são seres com evolução mediana-superior, e conseguem levar os seus afetos e sentimentos antes do erro propriamente dito, no caso o sexo, para a percepção tardia não deixando que esta infeliz ação ocorra apenas por este sujo prazer carnal. A miséria humana se encontra no prazer, pois são dignos de pena os que buscam a fuga dos problemas no prazer carnal e aprofundam no sexo. Ainda existe a reciprocidade e não há nada mais belo do que o prazer dos sentimentos findando no sexo, isso sim é digno de glória. O amor é belo e não merece ser desgastado apenas no prazer carnal.

Tenho a absoluta certeza de muitos se arrependem depois por ter feito ações meramente por prazer, seja o sexo, seja quaisquer outras coisas. Isso é deprimente, pois o homem não evolui desta forma. Erramos e temos que errar, sim, isso eu não nego. Infelizmente não temos como voltar atrás de um erro, portanto, essência tardia por não termos conseguido alcançar a plenitude da ação em sã consciência e esta ação torna-se embaçada, ou seja, um projeto de nosso inconsciente e portanto não podemos evoluir mais neste ponto. Somos entregues ao arrependimento. Mas por que não deixar fluir em nossos sentimentos a percepção primária antes de tudo? Visar as consequências de nossos atos obscuros antes que eles se obscureçam por completo e não tenha mais volta.

A evolução não depende somente de nós, o meio cultural em que somos criados nos influenciou e nos influencia muito. Por isso não se culpem por seus erros, mas comecem a perceber antes de tudo o que há de tardio em suas ações e o que elas podem lhes trazer, antes que vocês as façam.

Concluindo, nada volta e apenas o arrepender-se nos faz ver a verdade. Isso fica claro no trecho da música. O olhar é o arrependimento. Na foto, vemos o quanto somos manipulados por alguém que se diz superior a você. Não querendo criticar o belo e genial Thom Yorke, mas ele é uma espécia de "chave mestra" em sua banda e especialmente nesta foto (como na maioria delas) - aliás, em todas as bandas temos uma "chave mestra". Mas esta foto diz tudo, vivemos nas mãos do outro e estamos por trás deste outro e subordinado a ele, seja pelo mero prazer ou por outra coisa. Temos que ser a nossa própria chave mestra e isso, eu já disse, que flua o que há de mais tardio em nossas Vidas antes de tudo.

In Blurry Oblivion, até a próxima.


Considerações finais:

* Escrevi das 16h às 17h20 e o tempo não foi em vão.

* E o frio permanece, em todos os sentidos: o tempo lá fora e o tempo em meu bombeamento interno.


7 comentários:

zeh disse...

quem dera eu escrever tanta coisa e escrever tao bem em pouco tempo... isso é coisa pra gente com pinos de outra galaxia como vc... menina superdotada... é isso msm... esse prazer da carne nos modela e nos faz escravo... mas o amor pode superar esse vicio... infelizmente eu sei o q é isso... tento a cada dia superar mim msm pensando nas consequencias de como esse prazer pode me afetar... sao tantas coisas... acho q o pior de tudo é usar a outra pessoa... me sinto uma pessoa ma qnd faço isso... nesse mundo complicado é dificil pois a carencia q vivemos é grande... e por causa do imediatismo tbm pensamos q o prazer é a forma mais facil de nos completar... mas nao é... eu tento... eu continuo tentando ser um cara tardio antes de fazer qlq coisa errada... obrigado por escrever coisas q eu preciso saber... vc é demais... te adoro mto...
;) bjoks...

Évelyn Smith disse...

É, Zeh... Percepção Tardia sempre. Poderia resumir esta teoria numa frase simples do senso comum: "Antes tarde do que nunca." Parabéns pra você, parabéns pra mim! =)

Renato Hemesath disse...

Oi caríssima! quanto tempo! =D

Tudo ótimo?

Espero que agora, pós feriado 02.11 tudo esteja melhor.

Faço das tuas palavras as minhas: "Um tempo frio e chuvoso" (...) "Confesso que amo o tempo assim" e deu uma revira-volta aqui em SP, agora está tri e provavelmente continuará assim no final de semana.

Olha, interessantíssimo este estilo de postagem que você tem adotado. O que me chamou muito a atenção é o fato de que tu escolheu uma linha teórica pouco conhecida e debatida. Eu mesmo não conhecia estes conceitos de essências e percepções primárias e tardias.
Elas se encontram naquela mesma referência do Cereja e Magalhães?

O próximo feriado já será na próxima segunda. Mas, mês que vem, férias para nós! \o/ nos falaremos mais vezes!

E muitíssimo obrigado mesmo pelas palavras tão queridas. É realmente motivador, e me faz ter vontade de criar outras coisas e continuar o trabalho por mais quantos anos forem possíveis.
Muito obrigado, novamente.

Um ótimo feriado.

Beijos

Renato Hemesath disse...

Oi caríssima! desta vez, voltei antes do prazo habitual. hehe
Após o planejamento de algumas semanas, me permiti tirar uma pequeníssima férias de dois dias da facul. Por motivos super pessoais: minha comodidade, trabalho final de Estágio a escrever (depois te conto o tema *-*), prof. u ó na sexta-feira e estréia do novo filme do Todd Solondz na sexta-feira também! \o/

Mas agora falando sobre o teu trabalho.
Bárbaro! o que me chamou mais atenção é o fato de que tu começou a elaborá-la cerca de um ano antes de entrares na facul, não foi? sabe, isso é tri significativo, tendo em vista que (tu sabe) o quanto o curso nos faz mudar, como uma espécie de querer-involuntário, mas acima de tudo, o quanto nos vemos diferente cerca de seis meses, um ano após tê-lo iniciado. Bem, comigo e com alguns queridos próximos foi assim e imagino que ai em Brasília os efeitos sejam semelhantes.
Tudo isso para dizer que admiro mesmo a proposta do (In)Blurry Oblivion. Inclusive, se vc puder colocar uma tag nos posts sobre esta teoria, faça, pois assim eu linkaria o teu trabalho no Cine Freud, o que acha? A tag poderia ter o próprio nome do teu trabalho: (In)Blurry Oblivion.
Achei louvável! dica.

E claro,e stá convidadíssima a vir para cá.
SP tem lugares incríveis e faço questão que super conheça. Considero que aqui é um lugar em que a rotatividade e a renovação das coisas e das percepções ocorre num super ritmo, enfim... tudo para dizer que os cafés aqui são fenomenais. hahaha.

Oh, G-talk eu não tenho/ não uso.
Mas adiciona o meu messenger lá que dá certo: renatohemesath@live.com

Depois confirmo se chegou o convite aqui.

Ah. . . a camisa não é tudo? comprei com o próprio modelista, que me explicou sobre o tecido dela (já esqueci o nome, rs), hehe, encontrei numa super galeria daqui que amo, é uma espécie de Tiffanys prá mim.

E obrigado pelas palavras tão queridas. É não somente motivador, mas muito significativo ter este retorno e poder contruir relações assim. Obrigado novamente.

Super beijo!

zeh disse...

pow smith... gostei pacasss do novo visu do teu blog... e das frases novas tbm compondo as fotos da alanis morissete... mto bom... e as coisas novas q escreveu no texto do seu perfil... de vivermos aquilo q temos q viver ou aquilo q queremos viver onde nao queremos... tipo algo de ser feliz msm tudo indo contra? é isso? tu saca mto msm das coisas... aprendeu em psicologia ou com a vida? acho q foram as duas coisas... pq vc nao atualizou no feriado do dia 15? tem outro feriado ae pra gente... so aqui em brascovisilha... dia dos crentes... hehe... vai atualizar entao? hehe... eu sou chato... eu sei... ve se nas ferias vc atualiza todos os dias... to viciado nas coisas q vc escreve... qnd vc escrever seu livro eu vou comprar a metade dos exemplares... hehe...
;) bjoks...

zeh disse...

ahhh... saqueiii... o visu tem a ver com a sua teoria... in blurry oblivion... ficou mto bom msm smith... agora q eu percebi... tipo as coisas embaçadas no fundo... mto bom... mto bom msm... excep...
bjoks...

Renato Hemesath disse...

Oi caríssima!

Ah que saudade de vir aqui, de falar contigo e das 'coisas' do blog. :) Final de semestre é assim, nos permitimos ausências. Parece que o tempo é hábil, dá para fazer muitíssimas atividades, mas a nossa mente não acompanha o ritmo. Enfim, falei tudo isto para dizer que apenas hoje atualizei o Cine Freud, hehehe

Engraçado que esta análise de hoje, assim como as próximas quatro já estavam escritas, mas eu precisava de um tempo para recolocar algumas coisas no lugar, foi bastante agitado o mês passado com o niver do blog, o evento e a coletiva do Jabor. Mas tudo valeu a pena!

Aqui, estou bem. Com excessão do calor. Odeio verão, mas tento não pensar nisto.
Tenho apenas mais uma semana de aulas, e você?

Tu havia se referido a um filme que fala sobre bulling e pedofilia, qual? algum dos que eu escrevi/comentei?

Tempo do disckman?
HAHAHAHAH
Bárbaaaaaaaaaaaaro! diante de algumas coisas, sou super a favor. É angustiante ter que trocar de celular a cada cinco meses, renovar toda a capacidade e configuração de mp3, 4, 5, 6, 7, (...) saber qual Ipod será lançado no Natal, ter este movimento incessante de estar sempre 'por dentro'. É uma repetição da qual o Freud já comentava, e que é alienante por si só. Na internet as coisas não são diferentes. Eu tento imaginar como seria na minha época de colegial (palavra arcaica) se todos tivessem Orkut, facebook, twitter.. como seria especular a vida alheia... bom, o Orkut surgiu quando eu estava no 2º ano e até então, poucos tinham. Descobri que tu era uma! naquela época era tão cool! :D

Nossa, eu não conheço Cachoeira Paulista! prá ser sincero, conheço pouco do interior daqui.
A rodoviária eu conheço! rs

Eu acho SP um lugar cômico. Há regiões que me apaixonam e outras muito aversivas (meu lado behavorista ai, rs). Me atenho às primeiras.
Ah tomara que dê certo de tu vir no mês que vem! venha sim, tenho vários lugares prá te apresentar! sou um bom guia turístico, hehe.

Enfim, como foram tuas provas?
Espero que tenham sido ótimas!

Sobre a tag, te ensino via e-mail. Irei respondê-lo, juro.

Sobre o que tu falou da dificuldade em ter amigos, sei que pode parecer um pouco clichê e imediatista, mas compreendo exatamente como é. Aqui em SP a dinâmica pode ser diferente, as pessoas são expansivas, de certo modo. Mas juntamente a isto há aqueles que não conseguem assumir a sua condição de solidão. Parece que não é permitido ser só, ou ter um modo de estar mais restrito. Depois, em off, te conto sobre como minhas semanas e horários são. Ai continuaremos o assunto!

Oh, obrigado pelas palavras tão queridas.
Você também cativa a todos que te cerca! tenho certeza.

Tudo de bom, querida!

Até logo!

Beijos