terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eneagrama de Personalidade = Esquecimento Embaçado

Eneagrama de Personalidade e os seus nove "tipos".

Alguns simpatizantes alegam que o Eneagrama (do grego Ennea = nove e grammos = figura ou desenho) é um antigo sistema de sabedoria, criado há cerca de 2500 anos (autores situam sua origem entre 3.500 e 2.000 anos atrás), provavelmente no Egito. Seu conhecimento foi mantido sigiloso durante muitos séculos.

Este sistema descreve a queda e a ascensão possível da consciência humana, segundo nove padrões. Mais especificamente, descreve como, segundo nove padrões, a perda de Virtudes humanas gera paixões ou vícios emocionais; como a perda de Idéias Superiores cria fixações mentais; e como a perda do Instinto Puro leva à construção de estratégias instintivas de sobrevivência em três âmbitos: auto-preservação, social e sexual (chamados de subtipos ou variantes instintivas, conforme o autor). De acordo com o Eneagrama, todos nós temos um pouco de cada uma delas, de acordo com a situação. Entretanto, cada um de nós escolheu e desenvolveu uma delas como espada. Cada pessoa, assim, pode possuir traços dos nove pontos do Eneagrama, mas possui apenas um Tipo, que não muda. Existe, entretanto, evolução dentro de cada Tipo, em seus diferentes níveis de desenvolvimento e consciência.

Muitas pessoas que conhecem o Eneagrama concluem que ele é um sistema altamente profundo e preciso na descrição de comportamentos humanos. Mais do que uma tipologia, o Eneagrama é um mapa que mostra caminhos possíveis da evolução de nossa consciência, ou seja, da superação da paixão e da fixação de nosso tipo no Eneagrama.

Existem inúmeros testes de Eneagrama formulados por diferentes autores, os quais traçam uma hipótese inicial do tipo. A maior parte das "escolas" de Eneagrama entendem que a identificação do tipo deve ser feita pela própria pessoa, a partir de exercícios de auto-observação.


#-#-# (In) Blurry Oblivion #-#-#

Confesso que não sei praticamente nada sobre o Eneagrama, mas a sua essência principal me lembrou muito a minha mísera teoria (In) Blurry Oblivion. Logo abaixo há um quadro das características dos nove pontos do Eneagrama. Assim poderemos entender melhor.


Tipo Tipo Eneagramático Ponto de Fixação Motivador Vício Idéia Sagrada Compulsão Neurótica
1 Perfeccionista, Reformista A organização Ser correto Ira Perfeição Crítica
2 Prestativo, Manipulador Os outros Ser querido Orgulho Vontade Auto-
esquecimento
3 Bem-sucedido, Competitivo A auto-imagem Ser admirado Vaidade Harmonia Mentira
4 Individualista, Romântico As formas Ser diferente Inveja Origem Insatisfação
5 Observador, Pensador O conhecimento Ter conhecimento Avareza Onisciência Isolamento
6 Questionador, "Advogado do diabo" A autoridade Estar seguro Medo Força Timidez
7 Sonhador, Impulsivo A palavra Ter satisfação Gula Sabedoria Otimismo
8 Confrontador, Líder A justiça Ser respeitado Luxúria Verdade Vingança
9 Pacifista, Preservacionista O corpo Estar tranqüilo Indolência Amor Apatia

Bom, o que seriam tais características? Algo totalmente esquecido e embaçado? Um dia, uma colega de classe estava conversando comigo sobre o Eneagrama e assim começou a falar sobre algumas pessoas de nosso convívio e seus respectivos números. Sem citar nomes, é claro, citarei uma dessas pessoas para servir de embasamento para mim neste momento.

"Isso é coisa de número 7", ela me dizia... E depois de ouvir a explicação desta minha colega, fui entender de fato que sim, todo o número 7 tem uma certa impulsividade e gosta muito de sonhar em suas palavras, de utopizar as coisas, digamos, de ser sempre o "dono da verdade" e ter sempre o poder de palavra em todas as situações.

Oras, por que uma pessoa agiria assim, de forma que incomoda o outro? Afirmo agora, é algo totalmente esquecido e embaçado. É algo que regredimos e embaçamos logo após. Posso explicar isso da seguinte forma: o fato de termos uma certa característica que agride o outro, de certa forma, tem um motivo que vem da história de Vida de todos nós. Somos o que fizemos, por isso fazemos e faremos, acredito. Desta forma, sempre há um trauma ou alguma ação inacabada em nosso passado e tentamos corrigir isso através de tais características representadas nos nove pontos do Eneagrama.

Parando para pensar... Um sujeito que nunca foi ouvido por ninguém, ou pelo fato de não ter tido a presença paterna em sua infância e assim por resto de sua Vida. O que ele requer das pessoas? Atenção. E o que ela faz para conseguir isso? Tenta ser o melhor. E se ele não conseguir? É capaz de fazer qualquer coisa para conseguir a atenção do outro.

Assim, aquilo que tal sujeito viveu em seu passado é regido em suas ações atuais. Aquilo que foi esquecido em sua memória e embaçado pelo seu insconsciente se torna uma ação real em suas representações sociais. Digo, esquecer em sua memória é algo corriqueiro, todos nós esquecemos uma coisa e outra. Eu, por exemplo, não me lembro o que almocei na sexta-feira passada. E digo também embaçado pelo seu inconsciente pois aquilo nos fere profundamente é esquecido de fato por nós e assim embaçamos tal sofrimento. O papel do incosciente é embaçar tudo aquilo que nos aflinge (embasamento psicanalítico).

Somos manipulados a todo momento por nossos traumas passados, entendo assim. E agora ainda mais de acordo com a teoria que rege o Eneagrama.

(In) Blurry Oblivion, até a próxima.



Considerações finais:


* Utilizei as informações sobre o Eneagrama do Wikipédia para montar o meu texto (a parte em itálico e o quadro).

** Estou de férias, mas isso não significa que escreverei constantemente, pois tenho que correlacionar os assuntos, ler textos, enfim, requer minuciosidade de minha parte para compor meus escritos de minha mísera teoria.

*** Quero agradecer imensamente a uma grande e inigualável pessoa por me apoiar e por me dar força nestes momentos, sempre com suas palavras tão carinhosas: ao caríssimo e querido Renato Hemesath, do Cine Freud. Estamos distantes, mas o inconsciente coletivo nos une!


2 comentários:

Renato Hemesath disse...

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH que querida, que linda! eu não tinha visto!
Adorei os créditos, *o inconsciente coletivo nos une* com toda certeza!

Bom, primeiro comento dos créditos, para depois falar do post. haha

Ainda nos créditos, me admira encotnrar alguém assim que, enquanto graduanda em Psico (como eu) vê a importância e acima de tudo OPORTUNIDADE em ler textos, livros da área durante as férias. Para alguns isto é um ABSURDO, e para outros (felizmente) é um modo rico e único de valorizar este tempo de estadia, trás um enriquecimento sem igual. Confesso para ti que boa parte do que sei e muito do que aprendi da teoria psicanalítica e sobr eKlein, Winniccott e Lacan foi decorrente de "janeiros" e "julhos" gastos numa poltrona confortável e ao som de Mozart. :D haha
Conversaremos e tricotaremos sobre o que irás ler. Também tenho algumas referências a compartilhar contigo.

Agora sim, o post.
Amazing! nossa, não conheço quase nada de enagramas e nem imaginei que poderia ser relacionado a tipos de personalidade.
Eu fiquei tentando procurar a minha, claro.
Ou aquela que melhor se 'enquadrasse'. Ai vamos lá, eu oscilo entre o number one ao number seven, hahaha.
Mas tenho um pouco dos outros também. :]

O que vc escreveu me remeteu bastante à teoria do Jung, tu conhece? nossa, por e-mail eu te conto melhor, mas tive uma super "revirada de visão" (oi?) sobre a teoria dele, para MELHOR. Neste semestre eu tive uma disciplina de Psico Analítica e a professora era um encanto! no final do semestre estudamos sobre "os tipos psicológicos", nossa, eu acho que tu ia amar! já sei, vou lhe enviar um anexo sobre estas noções em Jung. :D

Tu encontrou o "A Vida Durante a Guerra"? se não, eu tenho o link aqui apra download. Assista-o. Eu já o vi três vezes: duas aqui em casa e outra na estréia no Cinema na paulista. Nossa... como amei *-* o Todd aborda questões muito fortes sobre o sentimento de culpa e necessidade das pessoas em repararem erros na tentativa de serem felizes. Eu sou suspeito prá falar né, compro briga pelo Todd Solondz! hahaha este filme tem recebido críticas bem negativas ao ser comparado com "Felicidade" de 1998, que é um trabalho mais desenvolvido, digamos assim, e com os mesmos personagens. Eu já escrevi sobre ele no C.F. e pretendo sim escrever sobre Life during Time, questionando o seguinte *primeira mão* Seria a vida mais agonizante ou tão agonizante quanto a guerra?

Continue escrevendo aqui, está amazing. E aguardo a tag para colocar o link lá no blog.
Oh, ainda hoje nos falamos por e-mail ok. Eu ia respondê-la ontem, mas não estava bem. Hoje estou melhor.

Beijos

Glauce Thais disse...

Olha só quem disse que escrevo bem...

Vindo de vc, é um grande elogio!!!!

Adorei seus textos!!!!

Muito profundo, como te falei... mas, muito interessante e simplesmente perfeitos!

Ô garota de futuro essa minha amiga.... :D

Cheiro!!!!!