sábado, 21 de maio de 2011

Explanações (In) Blurry Oblivion

Foto: Lycia, dupla de músicas de góticas (Mike VanPortfleet e Tara VanFlower), 1997.

Desta vez farei um pouco diferente. Estou sem tempo de fazer um texto mais elaborado, então eis algumas explanações que escrevi durante esta semana. No caso, são textos/composições que fiz através de diversas percepções pessoais, mas direcionadas para um âmbito externo a mim. Coloco-as no ponto de (In) Blurry Oblivion partindo de tal pressuposto. A primeira composição são relações de "coisificação" que percebo que todos sabem, mas insistem em embaçar-esquecer, virando um perfeito malefício aos seres humanos. A segunda composição são as minhas projeções de "algo" somente "meu", tornando o processo embaçar-esquecer de mim mesma vinculado ao meu ambiente, pois de acordo com Freud "a culpa nunca é nossa". Assim como na foto acima, apenas percebo as coisas que me envolvem a cada dia, de fato, de uma maneira não tão agradável.

A Coisa: uso e desuso - Évelyn Smith (17/05/2011)

Dentro da violência politicamente uniforme:
Baseando na violência vigente e totalmente simbolizada.
O ideal é aquilo que desmente
E a regressão de todos os sentimentos angustiantes e atormentadores.

A doce e amada alguma coisa
O doce e amado objeto de uso e desuso
E o que fazer com tudo isso?

Os colapsos nervosos permanecem no bombeamento interno,
Não havendo a menor importância por aquilo que se procede em cada um deles:
A pessoa coisa e a coisificação daquilo que se procede.

A coisa viva e o objeto vivente em manhãs quaisquer, em tardes quaisquer e em noites quaisquer.
Ninguém é vitorioso neste ringue, pois as peles de todos caem e todos fomos, somos ou seremos coisas.

O caos reina na metáfora da vida existente:
Cúmplices a todo tempo da violência.
Penso que é melhor parar tudo e prosseguir,
Como se nada existisse, aquilo que já representa socialmente o meu nada.
(pois não há nada dentro do meu mundo)

Alguém? Solicito alguém há algum bom tempo...

Coisificações, maremotos, terremotos, violência... Tudo passa.
Para mim sim já basta, até então, deixo tudo passar:
O tudo que representa aquilo que corrói no somente meu.

E seguindo a minha desiludida vida existente.

"Auto-Me" 2 - Évelyn Smith (17/05/2011)

Além de qualquer forma de significado aparente,
O que está ao meu redor me faz "rejeitar-me".

Sobre quaisquer pressupostos de dever e obediência,
O que faz o confronto me faz "entristecer-me".

Por raios, por que eu sou tão tolo?
(Por que meu ser é tão tolo?)

Às vezes me pergunto: o que estou fazendo aqui?
E por que tudo "angustia-me"?

Encontro ora sim, ora não respostas em Minha História de Vida...
Mas o que me traz todo este desconforto?
O que me pendura em um anzol tão maléfico durante todos esses anos?

Entendo, talvez seja, alguma rejeição que eu mesmo faço...
Com que eu faça o ambiente rejeitar a mim mesmo,
Com que eu faça o ambiente entristecer a mim mesmo.

Dos meus pés a minha cabeça me vêm somente desilusões e derrotas.
Além de todas as dificuldades que encaro a cada nascer do Sol.

É tão óbvio e aparente as figuras que vejo neste momento.
E, de fato, seria tão óbvio e aparente se todas elas fossem parte de meu Ciclo Vitalício.

Talvez seja isso... A especialidade da distância entre o que eu penso e todas estas figuras pensam.
É algo que se explicará por mim mesmo em um belo dia que virá.

Por conseguinte, os prantos de melancolia e de meu "algo meu" permanecem por aqui, viventes em virtude de um ambiente descontrolado.


* As fotos do Lycia são as que mais me explicam nestes momentos, por isso tenho o costume de sempre correlacionar as mesmas com os meus escritos.
** A segunda composição, "Auto-Me" 2, é uma espécie de continuação de uma outra composição que fiz, com o mesmo título, há alguns bons anos. Segue logo abaixo a mesma.

"Auto-Me",
SMITH (Eu), 17/04/2007.

Preparado para qualquer obstáculo,
Preparado para qualquer angústia,
Preparado para qualquer reprovação.
É o nosso Ciclo Vital e nada mais além disso.

Era para ser desta forma,
Mas não estamos preparado para
Respostas, Fatos, Decisões
Falsas, Negativos, Opostas.

Era para estar sempre preparado
A todos os obstáculos, angústias e reprovações.
Era para termos um Ciclo Vital Amadurecido,
Mas não funciona desta maneira.

Acostumados as humilhações constantes,
Acostumados as generalizações,
Acostumados as perdições.

E sem saber o quanto isto é prejudicial.
Com auto, auto e mais auto.

Auto-Humilhação,
Auto-Generalização,
Auto-Perdição.

Somos nós mesmos quem buscamos todas as
Consternações Mundanas.
Com auto, auto e mais auto.

Auto-Humilhação,
Auto Humilhante, pois
Auto-Humilho-
Auto-Me.

6 comentários:

João Paulo, vulgo zeh disse...

Evy Mith... Esse 'decifra-me' ficou massa pacas! Sou totalmente a favor do q escreveu. A proposta da coisificação é mais do q evidente... E estou certo de q a culpa nunca é nossa... hehe... É do ambiente entao? Seria o ambiente as coisificaçoes q estao a nossa volta? Espero q o zeh aqui esteja indo em direçao do caminho certo da forma pensante q vc elaborou. Adoro-te, moça dos pensamentos belos e ao msm tempo racionais. Bjoks... ;)

Renato Hemesath disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renato Hemesath disse...

Oi caríssima e querida Évelyn! ^^

Ah só agora que eu li:
"Antropologia e Psicologias (Social e Psicanálise). Será que dará certo? Espero que sim." - eu acredito que dê certo sim! a meu ver, uma está dentro da outra. A técnica não é a mesma e a Ética também não, mas são complementares. :D

Mas pensando a respeito do teu post, posso falar de coisas mais contundentes.
Que bom que mesmo com o tempo mais corrido tens conseguido escrever
e atualizar aqui. Isto pode ser que provavelmente faça parte daquilo que o Winnicott fala sobre sentir-se real, que nada mais é do que sentir ser você-mesmo. Ele aborda que podemos constatar esta condição em nós quando somos capazes de criar. As nossas palavras podem muitas vezes expressar a desilução que sentimos, ou até mesmo a nossa "não-vontade" em continuar aquilo que estava previamente estipulado. Mas não importa, o valor está justamente na expressão do mundo interno. E além do mais, eu também acredito na não-constância de muitas coisas, como tu diz: "Para mim sim já basta, até então, deixo tudo passar". E o que ficará? li há muito tempo atrás no blog de uma leitora do CF uma afirmação que dizia o mesmo "tudo passará" mas que no entanto "as minhas palavras durarão para sempre". Um pouco de nós se materializa naquilo que escrevemos, portanto: AVANTI!

E que fantástico tu colocar um texto de quatro anos atrás! confesso que não imaginei que tu escrevia já há tanto tempo, embora saiba que tu começou a elaborar a Teoria antes de começar o curso.

Enfim,

"Auto-Humilhação,
Auto-Generalização,
Auto-Perdição."

Elas existem mas não podem tamponar por completo a emergência do SINGULAR. E é por isto que existimos.

E agora, respondendo o que tu me perguntou no blog, o ambiente pode
ser empático para haver projeção sim. Uma profa. costumava comparar
com um cabide afim de que a projeção se sustente. Não é um conceito que eu articulo muito bem - preciso retomar as leituras da Melanie Klein.

Pois bem, li teu e-mail, amei, amei! super significativo. <3
Logo responderei.
Obrigado novamente pelo curioso e claro que... TUDO DE BOM PRÁ TI.

Que a tua semana seja especial.
Beijos

Breno Melo disse...

Olá, Évelyn! Que bom encontrar o seu blog! Vejo q aqui tb há poesia, q bom!

Ah, sim! Alanis tb me agrada bastante!

Tenha um ótimo dia! ;)

Breno Melo disse...

Oi, Évelyn!

Pronto, já adicionei o SMITH Blurry Oblivion à minha lista de blogs legais, assim não te perco de vista!

Seja sempre bem-vinda lá, no Mastigando Estrelas! É sempre bom encontrar gente parecida com a gente! A satisfação, nessas horas, é imensa! ;)

Tenha um ótimo dia!

Beijo,
Breno

RSR disse...

Obrigada pela visita. Não entendi oq é "blurry oblivion". Gostei de vc.