quarta-feira, 14 de setembro de 2011

"De fato um bobo eu sou"

Figura: O Bobo da Côrte.


Como de práxis, segue um trecho bíblico e uma música que irei correlacionar logo após, segundo as percepções de Vida que tenho visto atualmente. Irei correlacionar também a figura acima.



"
O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados. Perdoa a injustiça cometida por teu próximo; assim, quando orares, teus pecados serão perdoados. Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados? Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão para seus pecados? Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos. Pensa nos mandamentos, e não guardes rancor ao teu próximo. Pensa na aliança do Altíssimo, e não leves em conta a falta alheia!"
Eclesiástico 27, 33-28, 9


No One Knows - Queens Of The Stone Age


Ninguém Sabe Ao Certo


Temos algumas regras a seguir
Isso e aquilo, estes e aqueles
Ninguém sabe ao certo
Temos que tomar essas pílulas
Como eles disseram pra fazer goela abaixo
Tem gosto de ouro
Oh, o que vocês me fizeram
Ninguém sabe ao certo

E eu compreendi que você está do meu lado
De fato um bobo eu sou
E eu compreendi que você está do meu lado
De fato um bobo eu sou

Eu percorro através do deserto
Da mente sem esperança
Achei alguma
Eu vago pelo oceano
Botes salva-vidas vazios ao sol
E vem despreocupados
Agradavelmente cedendo(à correnteza)
Eu venho despreocupado

E eu compreendi que você está do meu lado
De fato um bobo eu sou
E eu compreendi que você está do meu lado
De fato um bobo eu sou

Sorrisos angelicais sobre mim
Que presente pode ser o amor
Mas ninguém sabe ao certo
Um presente que você me deu
Ninguém sabe ao certo


#-#-# (In) Blurry Oblivion #-#-#

A Vida é um trajeto cheio de andanças. Sejam elas boas ou ruins, temos de qualquer modo e maneira suportá-las. Às vezes as nossa falta de percepção acaba confundido as andanças boas com as ruins e vice-versa.

Sentimentos inexplicáveis são capazes de vir à tona em nossa consciência em momentos os quais menos esperamos. O paradoxo vivido por todos nós, que são tais sentimentos, nos confunde por completo e não sabemos por qual trajeto seguir: o bom que parece ruim ou o ruim que parece bom. E o trajeto somente ruim e o trajeto somente bom, existem?

E se formos, por um segundo, um mero Bobo da Côrte? O que faríamos? A priori, não seríamos nós mesmos.

Sendo mais precisa, o Bobo da Côrte era um indivíduo responsável por fazer trocadilhos imbecis, piadas infames e brincadeiras sem nexo a fim de entreter os reis do século XIX. Somente o bitolamento daquela época poderia achar o tipo de função desenvolvida pelo Bobo da Côrte algo "engraçado" ou que se podia "rir".

Comentários pessoais a parte, voltando o fato de que não seríamos nós mesmos. E depois disso, iríamos encarar uma realidade deprimente de forma alienada, como se não fizéssemos parte daquilo e por isso podemos debochar, já que "rir é o melhor remédio", como nos diz o consensual.

De acordo com a letra da música descrita logo acima: "Temos algumas regras a seguir / Isso e aquilo, estes e aqueles / Ninguém sabe ao certo / (...) / E eu compreendi que você está do meu lado / De fato um bobo eu sou"

O fato de seguirmos milhares de imposições, não somos capazes de enxergar aquilo que nos rege de verdade, o sentimento que está embutido e nítido diante as situações que passamos. Nesta explanação, considero o "você" da música como qualquer coisa: pessoa ou sentimento.

A falta de tal compreensão, o autor da música relata que "de fato um bobo eu sou". Será que isso não nos faz lembrar do Bobo da Côrte? Agora digo, e se nós não agíssemos como o Bobo da Côrte e formos, de fato, um Bobo da Côrte em pleno século XXI?

E agora digo que sim, somos todos Bobos da Côrte! Sempre agimos com intenção de não enxergar aquilo que de verdade nos cerca, deixamos a imbecilidade tomar conta de nós. Ou seja, seguimos o caminho ruim pensando que é o bom e seguimos o caminho bom pensando que é o ruim. Portanto, não existe somente o caminho bom ou o caminho ruim quando agimos de tal forma.

Portanto, a partir daí, começamos a sentir tais sentimentos inexplicáveis que descrevi no início desta explanação. O nosso ato não-pensante e de alienação são capezes de fazer diversos paradoxos em nossa mente. O ódio e o amor ficam revirando os nossos pensamentos a todo o instante.

De acordo com o trecho bíblico descrito logo acima: "
O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las. / (...) / Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? / Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados? / Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão para seus pecados?"

Até quem peca - entende-se o indivíduo que sabe que peca - é capaz de não querer sentir tais sentimentos de ódio. Logo, tal sentimento desencadeia diversas ações que praticamos diariamente, talvez com um olhar ou somente com uma frase indireta direcionada ao outro. Como queremos ser curados e ser perdoados se não fazemos o correto em nossas Vidas?


Oras, não estou querendo dizer que temos que ser perfeitos, seguir o caminho do bem e sentir somente amor o dia todo. Somos seres mutáveis a todo o tempo. Somos seres contraditórios. Somos seres vívidos. Somos seres que pulsam. Somos seres que bobeiam.

Além disso, o quer seria de nós se não fosse o erro, as nossas decisões de tomamos impulsivamente, como uma criança? O que seria de nós se não fosse a culpa infantil de toda uma história de Vida? Sem adentrar na Psicanálise, se não ficaria enfadonho, páro por aqui.

O problema é: usamos máscaras. Para cada situação diferente em que vivemos usamos uma máscara diferente. Até então normal e aceitável diante a nossa postura de um ser-social. O que não é condizente é usar máscaras para nós mesmos, isto é uma atitude totalmente de um ser nancio e sandio ou que vive fora da sociedade por alguma patologia psicológica.

Como o autor descreveu na parte final da música: "Sorrisos angelicais sobre mim / Que presente pode ser o amor / Mas ninguém sabe ao certo / Um presente que você me deu / Ninguém sabe ao certo"

De fato, nunca saberemos o que estamos fazendo, "ninguém sabe ao certo" se estamos tomando uma atitude coerente ou não. "Que presente pode ser o amor" também não sabemos, se usamos a máscara de Bobo da Côrte para nós mesmos...

Entrando num processo de Esquecer-Embaçar, sempre esquecemos o que somos em nossas próprias Vidas, a nossa verdadeira essência, e embaçamos a nossa essência inata. Colocamos por cima da nossa essência um chip que nos aliena por completo. Seguimos um trajeto que não somos capazes de perceber se ele é bom ou ruim. Seguimos algo meramente pela maioria ou pelo aquilo que as normas vigentes nos impõem.

Diante disso, concluo que há algo muito simples a fazer. Começar a partir de agora aceitar aquilo que fizemos e encarar as nossas circunstâncias. Assim, quando algo novo surgir em nossas Vidas, seremos capazes de usar a situação anterior como base e assim entrarmos num processo de Pensamento-Acional. Trata-se de colocar em prática todas as nossas elaborações mentais, verbalizar até se for preciso com nós mesmos, pois através da fala somos capazes de chegar em conclusões que não conseguiríamos somente através do ato pensante. Sendo assim, não usando máscaras com nós mesmos, seremos capazes de enfrentar os resquícios daquele trajeto paradoxal e assim, a posteriori, iniciar nossos trajetos realmente verdadeiros e reais.

"E eu compreendi que você está do meu lado", desta forma, depois de entrar em percepção total com o que vivi e vivo. Vivo o verdadeiro e real agora.

(In) Blurry Oblivion - em esquecimento-embaçado, até a próxima.


5 comentários:

Webert Soares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Paulo, vulgo zeh disse...

Evy Mith... Somos nos na luta... Pena q nao fui o primeiro a comentar... hehe.... Ficou mto massa o seu texto... Caramba... Estou impressionado com a sua capacidade de raciocinio logico e sentimental... Tudo junto e misturado... A musica do Queens of the stone age diz tudo em relaçao ao uso de mascaras... Ninguem sabe ao certo... Tento a cada dia ser menos bobo... E espero tbm compreender quem esta ao meu lado um dia... Adoro-te moça... Bjoks... ;)

Daniel disse...

Mais um texto digno de aplausos princesa.

"O ódio e o amor ficam revirando os nossos pensamentos a todo o instante."

Pois é, esta parte é bem verdadeiro. Estes dois sentimentos tão profundos e únicos na vida de todos, contradizem-se dia a dia. Pois bem, não precisamos mesmo, ter amor somente, porque isso nos faria até mal, sem crescer. Mas eu concordo sobre o perdão e ter o amor na maioria das vezes. A máscara que vestimos todos os dias sempre muda. Todavia, devemos tomar cuidado para não transformá-la na nossa personalidade. Porque quem amamos verdadeiramente, não aceita máscara e querem ver somente a mais pura luz que sai de nós.

Que tenhamos o equilibrio para agradar a todos, perdoar os menos abastecidos de conhecimento nem sermos ingênuos diante das situações.

Que cresçamos com o Pai. Ótimo texto amada.

Dan

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Ótimo texto, Evelyn. Parabéns.

O Falcão Maltês

Renato Hemesath disse...

Olá caríssima!!! eu estou de volta o/

Ah quantas coisas a comentar!
Este teu texto seria, e na realidade é uma ótima pauta para um café.
Tu trás com ele reflexões realmente importantes e próprias a este momento que o mundo tem vivido, uma época em que podemos vestir o 'chapéu de bobo da corte' ou oferecê-lo a um outro, para que este também o personifique. Ao ler o que você escreveu remeti-me às intrínsecas ilusões humanas: a perfeição, a completude e estado de constância... entre outras que são muito mais subjetivas que estas. Logo, não somos, muitas vezes, nada sem aquilo que ilusóriamente acreditamos ser. Mas, por outro lado, há momentos em que nos deparamos com o nosso real de ser e somos confrontados com a nossa imagem e com aquilo que constituímos ao longo da "peça". Sim, porque a vida pode ser algo parecido com um "teatro mais real", e assim, espero, de coração, que as cortinas continuem abertas a ti e que possas brilhar em teus propósitos.

Parte do que tenhoa dizer ficará para a manhã. Hoje é/foi um dia importante, mas amanhã é o dia realmente especial!

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As coisas tem caminhado bem por aqui!
Terminei minhas provas! fui bem em todas! agora estou mais tranquilo, hehe. Alguns eventos não muito doces também tem acontecido, mas tenho aprendido com eles.
Hoje consegui atualizar o blog. Me alegro. E mês que vem quem "assobra" as velinhas serei eu: 2 anos! :)
Bom saber que você faz parte "disso".

Uma linda semana prá ti. Beijos