segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Outubro




My October Symphony - Pet Shop Boys

Minha Sinfonia de Outubro

Tanta confusão
Quando o outono chega
O que fazer a respeito do Outubro?
Como sorrir por trás de um rosto franzido?
É difícil se aquietar

É tão confuso
Eles cancelarão o desfile?
Nós marchávamos todo Outubro
Agora eles dizem que nunca fomos nem mesmo salvos
Nós devemos ser bastante corajosos

Será que devo rescrever ou revisar
Minha sinfonia de Outubro?
Ou, como uma indicação
Mudar a dedicatória
De revolução para revelação?

Então estamos todos bebendo
Enquanto folhas caem no chão
Porque temos pensado
Em como o Outubro nos decepcionou
No passado e agora

Será que devemos nos lembrar
De Dezembro em vez disso?
Ou nos preocuparmos com Fevereiro?
Ficar de luto por nossos mortos dilacerados pela guerra
Nunca nos enfurecendo?

Será que devo rescrever ou revisar
Minha sinfonia de Outubro?
Ou, como uma indicação
Mudar a dedicatória
De revolução para revelação?


--

A música acima diz tudo sobre a Minha Vida e principalmente sobre o dia de hoje, não somente pelo título, mas pelo conteúdo da canção. Minhas confusões vitais, como sorrir diante da tristeza (não consigo usar máscaras e nem ser bitolada), reescrever ou revisar a Minha Vida, revolucionar ou revelar a bondade em Minha Vida, e o mais importante, como a cada Outubro me decepciono ainda mais com a Minha Vida.

Acredito que a revolução que o autor quer dizer nesta letra, e o restante do contexto também, é em relação à Revolução Russa, em Outubro de 1917. O tema sobre a Revolução Russa era o meu preferido nas aulas de História na 8a. série. Mais uma identificação minha em relação a esta música.

Bom, hoje... Em 10 de Outubro de 1988, exatamente às 01h50 da madrugada, no Hospital das Forças Armadas localizado no Cruzeiro Novo, em Brasília-DF, eu começa a Minha Vida pós-natal.

Aos meus 3 anos de idade, mais precisamente em 1991, me mudei para Belo Horizonte-MG com os meus pais e com o meu irmão que já ocupava o útero de minha mãe.

Mudei-me novamente, voltei para Brasília-DF em 2005. Minha família e eu nos mudamos, sendo mais precisa.

E o que este resuminho de Minha Vida pode dizer? Sim resuminho... Tenho certeza que o Blogger não teria capacidade de postar o texto de Minha Trajetória Vital por completo. São 23 anos, mas confesso que poderiam ser 43 anos sem sombra de dúvidas... Enfim, vou ao que me interessa.


#-#-# (In) Blurry Oblivion #-#-#


Minha Vida por aqui, em Brás Ilha, se resume em basicamente um nada completo: quanto eu mais caminho, mais tenho uma profunda impressão de que não estou caminhando em direção alguma. Sinto na maioria das vezes que vivo uma Vida totalmente falsária... Na verdade era para eu viver uma outra Vida, mas não sou capaz de perceber como eu poderia fazer esta transformação. Nesta confusão, eu acabo me  culpando por aquilo que eu não vivi no passado, e por conta disso, eu não vivo conforme era para eu viver o meu agora, um agora que era para ser totalmente verdadeiro.

Tantas angústias, tantas lágrimas, tanto rancor esta mudança de cidade me ocasionou e ainda posso que dizer que às vezes me ocasiona... Mesmo depois de 6 miseráveis anos. Sinto uma saudade cruel de tudo aquilo que eu não vivi, mas era para ter vivido. Deixei de ser feliz em Belo Horizonte e hoje me culpo por ter deixado tanta coisa passar diante dos meus olhos e ter descartado-as sem ao menos pestanejar.

Pois bem... Por que sinto tantas lamúrias? Elas trazem apenas o que há de mais lamentável dos sentimentos humanos. Por isso andei pensando, por que não usar algo que eu mesma inventei?

Um dia desses eu estava muito feliz pelo fato de ter começado a chover novamente, depois de mais de 4 meses de seca. Fui para à faculdade rindo, mesmo molhada dos pés a cabeça, mesmo a sombrinha não dando conta da grande demanda de água que caia sobre mim. Tive que fazer uma "trilha radical" para  chegar ao ponto de ônibus: peguei desvios pelos becos das quadras do Cruzeiro, andei pelas gramas já que as ruas daqui se transformam em verdadeiras lagoas por conta da falta de escoamento de água, tive que praticar "saltos à distância" para não pisar nas poças d'águas. Por fim, eu estava com uma alegria sem explicação... Estava sorrindo pelas ruas, mesmo toda molhada de chuva.

Partindo deste fato tão trivial e que talvez outro ser humano iria ficar raivoso por ter tomado um tremendo banho de chuva, vi que é necessário entrar em Esquecimento-Embaçado com nós mesmos. Na verdade, temos diversos nós mesmos dentro de nós. Somos diversos outros Eus em nós. Às vezes eles brigam, um fala mais alto do que o outro e vira uma verdadeira bagunça. Todos nós temos o nosso lado psicótico, não podemos nos preocupar pois isto é fato.

Na música fala sobre o ato de mudar de revolução para revelação. Ao invés desta imensa revolução que faço em Minha Vida por aquilo que não irá mais voltar ou por aquilo que não tem concerto, a revelação daquilo que está porvir é muito mais satisfatório ao meu próprio ser. 

Mudar a minha dedicatória para a revelação daquilo que está porvir... E o que poderia ser isto? Dedicar o que está porvir para aquilo que eu poderei fazer ainda, as minhas ações vitais. Dedicar o meu pensar para as circunstâncias de todos os atos que entrarei em contato daqui alguns instantes, amanhã, depois de amanhã, na semana que vem. Dedicar a minha atenção seletiva para as coisas e pessoas que têm importância de fato para mim e aquilo que não tiver esqueço-embaço.

Esquecer e embaçar ou esquecimento-embaçado... Sendo bem sincera e com todo o perdão da palavra, seria mais um "fôda-se" teórico, não? E com acento circunflexo para entonar ainda mais... É, exatamente, não dar importância àquilo que não tem importância. Fazer um retrocesso de uma Vida que passou e ver que tudo aquilo vivido foi necessário, e mesmo que ainda machuque, é necessário enfrentar esta dor. Quando for superada e não tiver mais nenhum valor este sentimento angustiante, esquecê-lo e lubrificá-lo com o óleo do esquecimento, em algum refratário do inconsciente. Agora, há de ter maturidade para esperar que a qualquer momento tudo aquilo pode vir à tona novamente... E aí cabe re-experimentar a dor e fazer este processo. O ser humano é um processo interminável assim como o esquecimento-embaçado.

Algo que ainda não mencionei neste ciclo de postagens sobre a minha quase-ou-não teoria. Acredito que o processo integral interminável do Esquecimento-Embaçado ocorre inconscientemente. Não temos nenhum controle sobre aquilo que está pulsando em nosso inconsciente. Não obstante, separando este processo, posso dizer que o ato de Esquecer ocorre conscientemente, temos controle total em relação as coisas que queremos ou não lembrar mais, coisas que não nos fizeram sentir bons sentimentos, por exemplo, podemos muito bem não querer mais lembrar de tal situação. Entretanto, o Embaço ocorre no insconsciente dentro de um Refratário do Inconsciente - refratário no sentido de "morada", tudo o que vemos ou fazemos é guardado no inconsciente de forma totalmente organizada, cada coisa em seu devido lugar, desde a nossa infância ao nosso agora - é necessário atuar na Sublimação. De acordo com a Psicanálise Freudiana, o processo de Sublimação é um mecanismo de defesa que consiste em deslocarmos os sentimentos opressores inconscientes para atividades culturais e criativas ou outras atividades que nos dão prazer em praticá-las e que farão que destinemos esta energia psíquica para tais práticas, para tais atividades ("realizações superiores"). Desta forma, destinando os nossos atos do do dia a dia para atividades que nos farão bem, o processo do Embaço atuará em conjunto com a Sublimação. Porém, o Embaço consiste em "guardar" a lembrança traumática em seu respectivo refratário, deixa-o aberto para algum ocasião que seja necessário vir à tona. Assim, totalizando este processo, integralmente, o esquecimento-embaçado ocorre inconscientemente, pois após o Esquecer, o Embaço usa potências e energias psíquicas maiores e, além disso, sendo mais fundamental que somente o ato de Esquecer. Se não houver o Embaço é em vão este processo, pois o Esquecer não acontece por si só e podemos ter as lembranças e memórias a todo o instante dos atos desagradáveis de nossas Vidas. Por isso, reforçando, há de ter maturidade e aí cabe re-experimentar a dor e fazer este processo novamente, esquecer-embaçar, quantas vezes for preciso e necessário, pois é INTERMINÁVEL.

Por fim, eis a "minha sinfonia de Outubro": sim, mudarei de revolução para a revelação daquilo que realmente é bom para mim, para aquilo que realmente vale a pena dar importância. Como na foto que coloquei mais acima, quero ser livre, apenas... Assim com os balões, coloridos, leves, alegres e acima de tudo livres. Sou ser que almeja apenas viver.

É isso, sem mais por hoje. Já me basta o fato de ser 10 de Outubro... A mim mesma parabenizo-me por aguentar democraticamente e em plena neurose-obsessiva-compulsiva mais um ano de instabilidades vitais neste plano terreno. Obrigada, meu Deus, por todas as dificuldades.

Em total (In) Blurry Oblivion - em esquecimento-embaçado do meu ser para mim mesma.


2 comentários:

João Paulo, vulgo zeh disse...

Evy Mith! cada vez superando a capacidade de qlq pessoa de escrever sobre as teorias da vida... estou aqui embasbacado... deve ser algo mto inovador e dificil ao msm tempo saber teorizar a sua propria vida... caramba... so tu msm... e... parabens de novo... filiz nivir... vc é uma pessoa q sabe viver msm com as adversidades e por isso enxerga de forma tao exata as coisas q estao em nossa volta... mtas teorias e mtas criatividades e mtas palavras daqui por diante... é diferente desejar feliz aniversario pra uma pessoa q é escritora intelectulizada... hehe... pois escritor qlq um é agora intelectual... vc tem seus meritos... adoro-te e teho orgulho de conhecer vc... coloque o meu nome na dedicatoria do seu livro... nao se esqueça... hehe... zuerinha ta... bjoks... ;)

Renato Hemesath disse...

Oi caríssima! ! !
já faz algum tempo deste teu post mas decidi comentar sobre ele primeiramente. Quando fazemos aniversário parece que alguma coisa ecoa de maneira diferente, mesmo que não tenhamos certo do que se trata. O teu texto está realmente inspirador e autêntico, tenho em mente que pessoa alguma seria capaz de lançar luz sobre este movimento de SER do modo como foi feito, é algo exclusivamente próprio daquele que possui a marca. Ai que muitas vezes me pergunto: quais marcas gostaríamos de levar conosco? e frente à quais alcançamos autonomia no decorrer do processo? nestas indagações podemos nos encontrar com a responsabilidade que temos por aquilo que cativamos.

Muito bem colocado por ti sobre o esquecimento-embaçado. Às vezes me questiono como seria caso fosse de outro modo. Entretanto, sabemos que existem memórias que gostaríamos de apagar definitivamente, como no filme Eternal Sunshine of the Spotless Mind, que por sinal torna-se cada vez mais fantasístico para mim.

Nestas condições, prefiro acreditar nesses diversos "eus" que você comentou. Depois comento melhor sobre o livro que estou lendo que está super próximo desta idéia.

É preferível pensar que a própria vida não existe, em determinadas ocasiões. E que nem mesmo a nossa "dor" possui existência: nós temos que inventá-la, nos colocando na condição de criadores de tudo aquilo que queremos e não-queremos. :)

Parabéns por esta reflexão tão desafiadora!

Tudo de bom prá ti.
Beijos =)