quinta-feira, 7 de junho de 2007

O Ciclo Pertinente da Solidão em Mim...

Foto: Lycia (1997), dupla musical gótica. Em foco, Mike VanPortfleet (guitarra, baixo, violão, bateria acústica, órgão, teclado, efeitos, vocal) e Tara Vanflower (vocal, percussão, efeitos).

A Percepção é algo que machuca profundamente e dói ainda mais quando se trata de uma Exclusão Própria e Comunitária. Antigamente, quando morava em Belo Horizonte, achava que a Solidão fosse "O Sentimento Comunitário", mas nestes tempos que tenho vivido, morando há dois anos em Brasília, percebi que não, a Solidão se trata exclusivamente de Mim, do Meu Eu Bizarro, do Meu Ser Demente, da Minha Mente Cansada, do Meu Corpo Torto.
Bizarro por todos que me tratam como tal e há tempos que também me acho desta forma, Demente por todas as besteiras que já fiz com minha Vidinha Pacata, Mente Cansada por tudo isso e Corpo Torto por carregar uma cabeça cheia de Problemas Estúpidos, causados por esta Sociedade Desigualitária.
Pois sim, certo, será Eu Egoísta por achar que somente Minha Vida é "reluzente" pela Solidão? Mas, sabe, às vezes, digo, sempre acho que só Eu não tenho amigos, só Eu sou um Alguém Sozinho, só Eu vivo pelos Cantos onde os Anjos Tenebrosos das Trevas vagam, só, só e somente só Eu... Quando terei a Felicidade me rodando e, enfim, batendo em Minha Porta e eu permitindo ela entrar em Meus Caminhos? Quando terei Fatos Inesquecíveis e Alegres e poderei sair, por aí, contanto para aqueles que considero meus amigos, tendo certeza de que será algo recíproco? Quando, Meu Deus, serei Feliz? Já faço esta pergunta há anos e anos e nenhuma resposta, ao menos vaga, eu recebo... Quero ter amigos, para compartilhar essas Tristezas e Lamúrias, amigos que me entendem e quero ser amiga deles para entendê-los também.
Ainda tenho Fé que irei Sorrir, ainda tenho Fé nesses amigos que um dia irei encontrar, ainda tenho Fé em Minha Vida... Mas esses Momentos Ruins não passam, como este, de agora... Confesso que não sei de mais nada e que, apenas, Quero o que Realmente Quero e Nada além desta Certeza...
Um dia, verei como a Pscicanálise será útil para entender estes Problemas que estarão em meu subconsciente no "Recipiente-do-Pretérito"...

Sigo desta forma: Alguma de minhas composições e, logo após,
algum pensamento; poema; texto que admiro.
É isso.

AMBULATÓRIO VITAL – SMITH (Eu), 15/02/2007.
No meu Ambulatório-Portátil,
Onde tudo é Guardado para Agora ou Depois,
Ocorrem, sempre, Pensamentos Incomuns
Ele costumava ser Elétrico,
Mas o deixei com Força Própria
Para sua Auto-Adaptação
Será que isto é bom? Eu fiz o correto?

No meu Transporte-Questionário,
Onde tudo é Carregado para Agora ou Depois,
Ocorrem, sempre, Práticas Involuntárias
Ele costumava ser meu “Porto-Seguro”,
Mas o deixei de Escanteio
Para sua Auto-Sobrevivência
Será que isto é bom? Eu fiz o correto?

No meu Bombeamento-Interno,
Onde tudo é Sentido para Agora ou Depois,
Ocorrem, sempre, Palpitações Enganosas
Ele costumava ser o “Bobo-da-Côrte”,
Mas o deixei Trancado
Para seu Auto-Crescimento
Será que isto é bom? Eu fiz o correto?

E o que tudo isso significa?
Uma Vida Consternada?
Ou um Trajeto Mau Traçado?

Mas Almejarei uma conquista:
Ambulatório-Portátil Invertido
Transporte-Questionário Cabalhoteando
E Bombeamento-Interno Colorido

Oh, Colorido...
POEMA DAS SETE FACES
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás das mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas, pretas, amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
(Carlos Drumond de Andrade)

Um comentário:

Fabrício Almeida disse...

Como já havia escrito, a solidão é passageira, assim como todos os sentimentos humanos.

Ora estamos felizes, ora estamos tristes. Não existem alguém 100% alegre ou alguém 100% triste. Até Cristo teve seus momentos de tristezas e alegrias.

O ciclo da tristeza e solidão não é pertinente e sim, o prazer de viver é pertinente.

Tente viver com intensidade todos os seu momentos, sejam bons ou ruins. Tudo na vida nos serve como amadurecimento e crescemos em espécie de degraus de uma escada. Cada dia estamos em um parâmetro da mesma e terá dias que estaremos ao topo, outros que estaremos no subsolo.

Nada é perfeito e se fosse seria patético. Aprenda os manejos da vida e leve-a como um joguinho de vídeo-game. Se divirta com ela! Ria dela!

Então viva! Não perca mais tempo! Vamos lá!

Abraço!